| Houve
um tempo em que pegar um avião
era um exercício de glamour.
Ah, aquelas fotos hollywoodianas,
das celebridades apontando na ponta
da escada e acenando para a turba
e para os fotógrafos, imagens
devidamente gravadas no imaginário
do século 20.
Hoje, até
quem viaja de primeiríssima
classe e mesmo as megacelebridades
baixaram a bola (minha querida amiga
Gloria Kalil é a mestra em
sugerir como viajar com estilo,
mas não é essa a pauta
aqui).
Para a imensa maioria
de mortais, que não desfrutam
de check-ins diferenciados, salas
VIPs e ônibus private esperando
à saída do avião,
e mesmo para quem desfruta, o dress-down
tomou conta. E ser frequent flyer
só é bom mesmo para
quem está de fora.
Em tempos de calor
no Hemisfério Norte (objeto
desta minha observação
aqui), o povo anda como se estivesse
num calçadão indo
atrás da próxima água
de coco: bermudas, shortinhos, chinelos,
tênis.
Em algum verão,
Marc Jacobs criticou a beach-ificação
das ruas de Nova York, e proclamava
que a moda precisa de um pouco mais
de esforço. A frase é
boa, de fato. Mas vai convencer
quem tem que fazer mil conexões,
passar por check-in, imigração,
sala de embarque, raio X, eventualmente
tirar o sapato e colocar naqueles
horríveis caixotes de plástico…
E carregar bagagem de mão
(ou as tranqueiras que não
couberam na mala; quem nunca passou
por isso que atire a primeira pedra)…
Não tem como manter a finesse.
E quando o sapato machuca e o pobre
ser humano tem que se arrastar pelos
enormes aeroportos de hoje? Da próxima
vez vou de chinelo, ele jura para
si ali mesmo.
Realmente não
dá pra comparar. Pessoalmente
até prefiro gente normal
do que os fashionistas em trânsito
durante as temporadas de moda. Vestidos
como se fossem direto pra primeira
fila, com aquelas caras de quem
já não está
gostando, de quem não sabe
se divertir. Pegar um voo Milão-Paris
durante os desfiles pode fazer você
se sentir um verme cafona. Já
São Paulo-Rio, felizmente,
é mais relaxado (apesar de
todo mundo oficialmente reparar
no que os outros estão vestindo
e na qualidade/style das bagagens).
Adoro especificamente
um personagem, o da pessoa que oficialmente
se esforça para fazer um
modelão para viajar. Geralmente
ela usa tudo o que de mais grifado
tem em seu guarda-roupa. É
bolsa Vuitton, óculos Prada,
relógio D&G, you name
it! Ela só fica mais humilde
mesmo quando encontra seu assento
na classe econômica. Até
então, é só
carão. Mas acho divertido.
A vida é
assim: um dia na executiva, outro
ganhando upgrade, a vida real no
modo econômico. Viajar _e
observar_ ensina muito.
Pra quem gosta
de “dicas” (já
falei aqui que odeio a palavra??),
seguem as minhas:
01) deixe o carão
em casa.
02) leve uma pashmina (eu era contra
até ter uma). De preferência
uma que te abrace e te proteja.
03) carregue o menor peso possível
na mão.
04) vá com sapatilha ou tênis.
Chinelo só em casos de ótimas
pedicures (porque ninguém
merece).
05) não encha a cara no avião.
Se preferir, encha a cara depois
de fazer o check-in, mas desde que
não perca o voo. No avião,
tome água mesmo, pra não
chegar ainda mais inchado no destino.
06) Se for para os Estados Unidos,
confira se sua meia não está
furada.
07) Roupas soltas e confortáveis,
nada de querer mostrar que emagreceu
com aquela nova skinny.
08) Fones, i-pods e protetor de
olhos para escapar de seus pouco
inspiradores personagens à
volta.
09) coisas pra ler que não
pesem em sua bolsa.
10) optimismo e pensamentos positivos
(com aviões e aeroportos,
tudo sempre pode piorar, então
é melhor achar que não
vai!).
Last but not least,
olhe bem, mas muito bem seu bilhete
assim que ele for emitido e confira
todos os horários, conexões,
horários de embarque (não
confundir com os da chegada).
Agora, se voce
quiser aprender a fazer uma mala
perfeita, entra no Chic, amor. Eu
juro que não sei!!!
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