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Maurício Ianês: ‘Moda é moda, arte é arte. E tudo é business’

Por Andre Rodrigues

 

Adicionado em 21//05/2010
 

Maurício Ianês de Moraes nasceu no dia 8 de julho de 1973, em Santos, São Paulo, filho de Rosângela e dos pais (assim mesmo, no plural) Roberto e Arthur. Irmão de William, Lauren e Gabriella, Ianês não fala dos seus sonhos porque se começasse a falar não ia parar mais – tem muitos.

Formado em Artes Plásticas pela FAAP, ele aprendeu na faculdade a ter as dúvidas certas. Conhecido no mercado da moda brasileira como o braço direito de Alexandre Herchcovitch, Maurício Ianês também é atual diretor criativo da marca TNG e chegou a trabalhar, muito de perto, com Alexander McQueen. “No estúdio muitas pessoas tinham problemas com ele. Ele não era fácil. E tinha um senso de humor que não era para todos”.

No início da carreira do Alexandre Herchcovitch, vocês chegaram a dividir um apartamento. Sobre isso, responda:

Como, onde, como e por que vocês se conheceram?
No clube Senhora Krawitz, em 1993. Fomos apresentados pela Marcelona.

Qual era a relação de vocês?
Namorados.

Quanto tempo moraram juntos?
Muitos anos, inclusive depois de o namoro ter terminado. Seis ou sete anos, acho.

Como era o Alexandre como pessoa no dia a dia?
O Alexandre é uma pessoa incrível. Como amigo, namorado e profissional. Sério, passional, mas muito divertido e dedicado. Hoje, para mim, ele é um irmão. Ele sofre uma cobrança diária absurda, e por isso ele obviamente cobra profissionalismo das pessoas que se envolvem no trabalho dele com a mesma intensidade, o que para mim é uma qualidade enorme.

Vocês chegaram a discutir por causa de alguma bobagem (tipo toalha molhada na cama, roupa suja no banheiro, porta da geladeira aberta, louça não lavada na pia…)?
Claro! Não me lembro exatamente o que, mas eu sou, em casa, muito desorganizado, ao contrário dele. Ele era bastante tolerante também com as minhas manias, então brigávamos pouco.

Qual a lembrança que você guarda daquela época?
Tenho memórias incríveis. O Alexandre e a família dele viraram a minha família também. Muito trabalho, muito carinho.

O que ficou no passado?
Um tanto da liberdade de experimentar o que quiséssemos no trabalho do Alexandre. E o namoro, obviamente.

E o que você trouxe para o presente?
Um carinho enorme, um outro tanto da liberdade de experimentar o que quiséssemos no trabalho do Alexandre, e a força de lutar pelas coisas que eu acredito. Muitas delas deram certo.

Quando foi a primeira vez que você resolveu contribuir para um desfile do Alexandre?
Foi no desfile de formatura dele. Nós morávamos juntos, ele e eu trabalhávamos em casa, eu comecei a olhar e dar opinião nas coisas, ele gostou. O desfile foi na Santa Marcelina, os modelos eram na maioria amigos, inclusive a Márcia Pantera, vestida de freira. A passarela era uma cruz invertida em branco. Os temas eram comuns a todos os alunos, mas não me lembro exatamente dos nomes que foram dados a eles. Um deles era hospício….

O que você pensou antes deste primeiro desfile começar?
Tem que dar certo!

E depois que ele terminou?
Deu certo!

O que você pensa hoje antes de um desfile começar?
Tem que dar certo!

E o que pensa quando eles terminam?
Será que deu certo?! Acho que com a experiência veio mais um monte de dúvidas, e uma cobrança sobre o meu trabalho muito maior. Sempre acho que poderia ter feito melhor.

Hoje como funciona a parceria com o Alexandre?
Não temos muitas regras para isso. A cada estação funciona de uma forma, mas temos um contrato onde uma vez por semana eu vou ao estúdio dele para falarmos das coleções. Em geral eu faço a pesquisa de temas, formas, cores, chego com algumas idéias e discutimos tudo junto com a equipe de estilo. Uma vez decididos os caminhos a serem seguidos, começamos os desenhos, pesquisa de tecidos e matérias-primas, provas de roupa, etc. Nessa hora não existe uma regra específica, é um trabalho em grupo bastante fluido. Gosto bastante de desenhar peças para desfile, mas nem sempre isso fica para mim. Prefiro quando o tema faz com que todos se envolvam igualmente, prefiro ver o trabalho como um trabalho em grupo. Acho muito mais enriquecedor, e o Alexandre também gosta e incentiva isso.

O povo quer saber: qual é o método de trabalho que vocês adotaram e que tem dado tão certo?
Acho que já falei um pouco na pergunta anterior, mas posso complementar aqui que muito dos temas vêm da minha pesquisa. Isso porque eu sou curioso, gosto de pesquisar, e porque muito do meu universo é mais underground, o que acaba trazendo influências novas e diferentes para a coleção, e o Alexandre às vezes não tem tanto tempo de ficar indo atrás de coisas novas. Isso tudo deve ser obviamente filtrado, já que o Alexandre como marca já deixou de ser underground faz tempo, muito tempo, apesar de às vezes ainda ter que carregar esse estigma por conta de uma mídia muitas vezes preguiçosa e com pouco poder de análise e conhecimento aprofundado de matérias, modelagens, etc.

Qual é o seu cargo na marca do Alexandre?
Consultor criativo, mas não acho que seja um nome adequado. Faço um pouco de tudo. Só realmente não entro nos negócios, apesar de que quando eu vejo que uma decisão absurda pode ser tomada na empresa levanto a voz para pensar junto em soluções melhores. Não sou alheio a isso.

Por que você continua trabalhando com o Alexandre?
Por ele. E porque ainda é uma marca ou empresa que tem poder de criação, de mudança. Isso me interessa.

Qual a diferença de trabalhar para a TNG e para a AH?
Para o Alexandre tenho maior liberdade, sem dúvida. Os processos são mais rápidos, e temos a disposição uma estrutura de ateliê. Na TNG temos uma preocupação em nos manter dentro de limites mais comerciais que a marca tem, tudo tem que ser voltado para um público mais amplo, o que eu acho bastante interessante.

Como foi a aproximação da TNG?
Depois de a Regina ter saído de lá, eles me procuraram por e-mail. Eu tinha um conhecido que estava cuidando do gerenciamento de produto da marca, o Oscar Rovella, que tinha o meu contato.

Por que você aceitou trabalhar com eles?
Achei desafiador e, sim, achei interessante.

O que podemos esperar destas próximas coleções para AH e TNG?
Acho difícil passar este processo. O desfile do Alexandre vai ser bem forte, e talvez um pouco mais intelectualizado que o anterior, que tinha um apelo mais fácil. Para a TNG vamos tentar manter o frescor que conseguimos com a coleção passada, acho que vai ser uma coleção bem gostosa de ver.

Pode antecipar alguma coisa, qualquer coisa dessas coleções?
Não.

Nada?
Não.

Não mesmo?
Não, não, não.

Então tá, então. Vamos mudar de assunto. Soube que você trabalhou de perto com o Alexander McQueen.
Foi incrível. Sou muito feliz por ter tido essa oportunidade.

Você chegou a conhecê-lo?
Sim, claro! Ele pedia pra gente (eu e meu namorado Sebastian) tomar conta da casa e dos cachorros dele quando viajava, jantava na minha casa, saíamos juntos, éramos próximos. Foi ele quem me apresentou a Isabella Blow, que era casada na época com o Detmar, que tinha uma galeria de arte. Tudo começou quando eu conheci o Sebastian (Pons, estilista espanhol) em um clube em Paris. Começamos a sair juntos, começamos a namorar, e ele me falou que era o estilista da Givenchy (na época em que o Lee desenhava para lá). Logo o Sebastian se irritou com Paris e voltou pra Londres, onde ele tinha estudado com o Lee. Ele era o primeiro estilista do estúdio, e era muito amigo do Lee, o que fez com que eu me aproximasse bastante do círculo todo que pairava em volta deles. O Sebastian era também o melhor amigo do Miguel Adrover, cresceram juntos em uma vila de Mallorca, e ficamos amigos também. Eu gostava muito do Lee, e ele sempre foi muito carinhoso e generoso comigo, e no tempo em que mudei para Londres para morar com o Seb, ele me ajudou muito, muito mesmo, me colocando em contato com o mundo das artes londrino. Quando soube que eu trabalhava com moda também começou a encomendar projetos especiais para mim, peças de desfile, etc. No entanto no estúdio muitas pessoas tinham problemas com ele. Ele não era fácil. E tinha um senso de humor que não era para todos.

O que você fez exatamente quando trabalhou lá?
Desenvolvi projetos especiais para dois desfiles McQueen, e um para Givenchy. Lembro da Ana Cláudia Michels e da Gisele [Bündchen] nesse desfile da Givenchy. Foi incrível encontrar com elas lá. Também desenhei uma linha de acessórios masculinos para o licenciamento japonês que ele tinha. Durante os desfiles, quando terminava as peças que ele e a Kate England solicitavam, ficava de assistente da Kate.

A moda te enriqueceu no sentido material da palavra?
Não, não mesmo.

E no sentido transcendental, de valores?
Sem dúvida, muito.

Suas performances artísticas foram todas muito intensas.
Não sei se tenho uma mensagem a transmitir, acho que tenho uma mensagem para ser construída ali, ao vivo. Quero construir esse significado com o público, deixar que ele tome parte ativa deste processo; mas uma preocupação que tenho é de sempre procurar banir a tal aura da obra de arte. Quero obras abertas, abertas ao público (nem sempre interativas, mas que contem com a disponibilidade do público para construir junto ao trabalho a tal mensagem).

 

Maurício Ianês (no canto superior direito da foto) durante a performance “Zona Morta”, que aconteceu em 2007 na Galeria Vermelho: “Fico o tempo inteiro pensando que eu estou ali numa conversa, num diálogo com o público. E é isso o que me faz superar o frio que eu passei neste trabalho, por exemplo” ©Divulgação
 
Você não acha que as suas performances como artistas são um pouco… hmmm… cabeçudas?
Hahahaha! Adoro o termo “cabeçudo”, mas o que é um trabalho cabeçudo? É um trabalho que tenta fazer com que as pessoas pensem fora dos padrões gastos do cotidiano? É um trabalho que exige pensamento? Acho que meu trabalho em geral pede uma disponibilidade e uma abertura das pessoas, sim. Se elas não se aproximam do trabalho com essa atitude, o trabalho não existe. Claro, em alguns trabalhos eu cito filósofos, poetas, questiono a história da arte, teoria da linguagem, mas não acho que exija do público esse conhecimento específico, acho que meu trabalho vive muito bem sem “bula”, sem o conhecimento das teorias de liguagem, filosofia, etc, que entram em jogo no meu processo criativo. No entanto, o meu trabalho não vive sem a disponibilidade do público. Não quero trabalhos que possam ser vistos e digeridos em dois segundos.

Você não acha que arte deveria se popularizar mais?
A arte deve ser o lugar de pensamento público por excelência, e desta forma inerentemente política. O que não quer dizer que ela tenha que ser simplista ou fácil. Muito pelo contrário. Ela deve ser de digestão difícil. Ela deve dar poder às pessoas, e fazê-las perceber e questionar o poder que elas têm, e isso pode incomodar. O poder de questionamento, de diálogo, de interferir na sociedade, mas para isso o público deve ter uma atitude aberta em relação a ela. É interessante perceber por exemplo que os maiores exemplos de arte “difícil” que temos na história tiveram na verdade as suas origens em uma tentativa de popularizar a arte. Penso aqui em Malevich, Mondrian, Ad Reinhardt, a arte conceitual, o minimalismo, entre outros… Todos tentaram tirar a aura e o distanciamento que a arte tem para aproximá-la do público, mas o público (ou o mercado?), com medo de ter em mãos esse poder, acabou criando para esses movimentos uma aura maior ainda.

Quem são seus ídolos?
Ludwig Wittgenstein. De resto, Paul Celan, Samuel Beckett, Louise Bourgeois. Mas não gosto de ídolos.

Por que eles/elas são seus ídolos?
L.W.: Pelas opções de vida que teve e pela solidez de seu caráter. Pelo menos pelo que o seu biógrafo mostrou. Pelo questionamento radical, mesmo que às vezes problemático, às estruturas do pensamento e da linguagem que o seu pensamento filosófico trouxe.
P.C.: Pela sua poesia.
S.B.: Pela solidez e qualidade do seu trabalho.
L.B.: Pela sua persistência. Não sou grande fã do seu trabalho, mas ela é para mim sempre um exemplo de força e persistência.

Onde uma pessoa comum que está interessada em arte deve começar a procurar?
Em casa, no seu cotidiano. Questionando e observando as suas atitudes e padrões cotidianos. Sempre penso em Joseph Beyus e seu trabalho “A revolução somos nós”. Depois, acho que hoje a internet oferece bastante conhecimento básico. Além de, obviamente, visitar galerias e museus.
A partir daí, não faltam cursos razoáveis de estética e história da arte, apesar de eu achar que a maioria deles é tão antiquada que pode destruir um processo que seria muito mais interessante se fosse solitário.

Quais são as galerias boas de São Paulo?
Luisa Strina, Fortes Villaça, Vermelho, Triângulo, Leme.

Moda é arte?
Moda é moda, arte é arte, mas gosto quando tudo fica fluido, apesar de no meu trabalho mesmo isso acontecer pouco.

Moda é business?
Sim.

Arte é business?
Sim.

O que é arte?
Um meio complexo de comunicação e questionamento; um ramo da cultura humana, um meio de expressão, um trabalho.

O que é moda?
Um meio complexo de comunicação e questionamento, com funções específicas, em geral bastante relacionado a uma cultura, e um trabalho.

O que é business?
A troca de produtos – abstratos ou não – vinculados aos desejos de uma sociedade, com valor agregado diretamente relacionado a intensidade deste desejo.

E pra terminar, um recado, qualquer recado, para uma pessoa, qualquer pessoa.
Que entrevista difícil, André!!!

Signo.
Câncer.

Ascendente.
Sagitário.

Pecado.
Acreditar em pecados.

Comida.
Qualquer coisa vegan. Sério, gosto de tudo, especialmente comida mediterrânea, árabe, espanhola e italiana.

Um sonho realizado.
Visitar a Islândia, que virou meu lar de coração. Amo o lugar, a natureza, as pessoas, meus amigos de lá. Apesar de não nos vermos tanto, eles têm um lugar especial no meu coração. Acho que o maior sonho na verdade, e que se relaciona com esse, é o de poder ter amigos espalhados pelo mundo e ser capaz de me comunicar com eles, e entender as especificidades de cada um.

Um sonho a se realizar.
Se eu começasse a falar, não ia parar mais. Tenho muitos.

Um medo que superou.
Não tenho muitos medos, mas ficar nu em público era um dos poucos que me afligiam, e um dos maiores. Superado.

Um medo que prefere nem lembrar.
Já me confrontei com esse medo, e fui obrigado a superá-lo. A morte de minha mãe.

Animal de estimação.
Quatro gatos e muitos peixes em dois aquários.

Bebida.
Água.

Copyright ou copy left?
Copy left. Hoje o mundo é cheio de contextos e situações diferentes para que as cópias permaneçam cópias autênticas por muito tempo. No entanto, na hora de criar, não olho muito pra fora.

Viagens.
Islândia (Reykjavík e adjacências), a última viagem para Paris, que durou 6 meses, e Israel. Islândia porque era um sonho de criança, porque tive contato com pessoas especialíssimas e muito carinhosas, e pela natureza. Paris porque tive a oportunidade de experimentar melhor a cidade, e conhecer pessoas que foram muito importantes para mim. Israel pela constante tensão social que me trazia para uma constante consciência sócio-política o tempo todo, além de o país ter uma atmosfera de espiritualidade inacreditável. Impossível não ficar contaminado e impressionado com isso. Além do que, estar em um deserto é uma experiência especialíssima.

Se não fosse o que você é, você gostaria de ser um:

a) índio americano

b) esquimó

c) cigano do leste europeu

d) chefe da tribo ndebele

e) boia fria

f) cowboy

Difícil. Prefiro ainda continuar sendo o que eu sou experimentar um pouco das vidas destas opções todas. Gosto de vivenciar e experimentar culturas diferentes, e absorver um tanto delas pro meu cotidiano. Já convivi e continuo convivendo com pessoas muito diferentes, sou aberto a isso, gosto de ouvir o que elas têm a dizer e trocar experiências com elas. Por isso acho que não sonho muito em ser alguém diferente. Prefiro ir lá e ter a experiência de vida sendo eu mesmo. Mas hoje sempre que eu entro em crise ainda penso em duas opções, que podem se realizar se a crise for muito grande: criar ovelhas no interior da Islândia ou ser um estudioso da Torah em Jerusalém ou Tsfat. Já cheguei perto disso várias vezes, mas acabei voltando atrás na decisão.

Filosofia.
Muitas. Mas acho que resumo tudo em uma tentativa de levar uma vida baseada na ética, no respeito e na tolerância. Sou aberto a mudanças. Procuro sempre ser bem humorado, mesmo quando sou mal humorado. E sou vegan radical, por princípio.

Lembrança mais marcante da infância.
Quando eu aprendi a ler. Achei mágico. Pintar desenhar com a minha mãe, eu chegava a ficar febril de tão feliz. Lembro também de ser bem silencioso, mas de ter dias em que eu falava sem parar. Uma outra memória que até hoje eu guardo com muito carinho e bastante nostalgia eram os passeios das noites de Domingo, quando minha mãe e meu pai (o Arthur) me levavam para passear pela avenida da praia, de carro. Ouvíamos música, eu ficava olhando a praia e a cidade, e dormia. Sempre voltava dormindo, e era carregado pra cama.

Melhor amigo(a).
Não gosto de falar em melhores amigos. Todos os meus amigos que fazem parte da minha vida cotidiana de fato são meus melhores amigos, e tenho sorte de trabalhar ao lado de alguns deles.

Hobbies.
Ler, ir ao cinema, ficar com amigos, irmãos, e o namorado.

Televisão.
Raramente, mas gosto de ver documentários sobre as ciências e sobre os animais. De resto, acho a maioria da programação repulsiva. Uma piada burra.

Filme.
“Nostalgia”, de Andrei Tarkovsky e “O Espelho”, do mesmo diretor.

Música.
Barulhos, adoro prestar atenção a barulhos ordinários. Além disso, Grouper, Yellow Swans, Prurient, Luigi Nono, Xela, William Fowler Collins (ouça no player abaixo), Colleen, Burzum, entre outros.

Cheiro.
Pele, cheiro dos meus bichos, e “Odeur 53?.

Tatuagens.
Considero os meus dois braços fechados uma tatuagem só. Fora essa, tenho mais 6.

Qual foi a primeira?
A primeira foi “soterrada” pela tatuagem preta no meu braço esquerdo. Era o desenho de uma sereia do artista Odilon Redon.

E a mais recente?
A do meu queixo. Faz tempo que não faço uma nova.

E qual é a sua favorita?
Não tenho favorita, gosto de todas, mas acho a do queixo especial.

Felicidade.
Produzir, trabalhar e ver arte. Ficar em casa com meu namorado e meus bichos, ou com a família, também me faz feliz, apesar de eu acabar ficando pouco com a minha família.

Tristeza.
Ficar improdutivo e me deparar com situações de intolerância e falta de respeito.

Revistas.
Regularmente leio a “ArtForum”, “Dazed and Confused”, “i-D”, “Vogue Itália”. O resto eu não leio com tanta regularidade. Sinto falta da “Dutch”.

Livro.
“O Processo”, de Franz Kafka.

O que você aprendeu de fato na faculdade?
A ter as dúvidas certas.

E o que a vida lhe ensinou de mais importante?
A não ficar estagnado e a correr atrás das minhas crenças, mesmo que sozinho.

 
Fonte:
http://ffw.com.br/noticias/mauricio-ianes-moda-e-moda-arte-e-arte-e-tudo-e-business/
 

 

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