| “Quando enviei
minha carta aos principais players
da indústria da moda [em janeiro
deste ano], era exatamente isso que
eu esperava: uma transformação
imediata”, comenta Paulo Borges
sobre o desfile de Inverno 2010 da
Prada que, pela primeira vez em muitos
anos, usou modelos com um visual menos
esquálido e muito mais saudável
em seu casting. Sarah Mower, crítica
de moda do site Style.com, reforça
a importância do desfile e
o considera um marco: “Foi
muito bom ver roupas de passarela
sendo usadas por mulheres de verdade,
com curvas. A Prada influencia muitos
na indústria a seguirem os
seus padrões. Tenho certeza
que as consumidoras vão amar
essa mudança”.
Miuccia Prada, uma das estilistas
mais influentes da atualidade, é
também uma das responsáveis
por disseminar a estética
não-saudável através
de seus desfiles que, nos últimos
anos, empregaram o que Sarah Mower
chama de “um exército
de zumbis adolescentes”. A
busca por modelos de aparência
fragilizada obriga diretores de
casting a recorrerem às meninas
mais jovens, muitas menores de idade,
cujos corpos ainda não passaram
pelas transformações
da puberdade. Como consequência,
as modelos veteranas, que têm
corpos naturalmente mais curvilíneos,
se veem forçadas a acompanhar
o ritmo: é onde entram as
dietas incorretas e a pressão
psicológica que levam, em
alguns casos, às disfunções
alimentares.
Mas as peças já se
movimentam no tabuleiro e o jogo
ganha novas regras: a carta enviada
por Paulo Borges resultou num convite
pessoal de Anna Wintour para que
ele participasse do encontro do
CFDA realizado no começo
de fevereiro, onde foram debatidas
as causas e possíveis soluções
para o problema da magreza extrema
nas passarelas, editoriais e campanhas
de moda. Editoras, stylists, agências
e estilistas foram alertados sobre
a responsabilidade social que devem
exercer.
A revalorização da
imagem feminina saudável
na moda é um fenômeno
cíclico (Linda Evangelista,
Kate Moss, Gisele Bündchen,
Sasha Pivovarova, Lara Stone), mas
essa é a primeira vez que
a indústria se organiza em
prol de uma mudança favorável.
GUIA DE ALIMENTAÇÃO
SAUDÁVEL + IDADE MÍNIMA
PARA DESFILAR NO SPFW
Junto ao Ministério Público
de São Paulo, o SPFW estabeleceu
normas para preservar a integridade
das modelos presentes no evento
e ter garantias de que elas estão
aptas a exercer a profissão.
Mesmo não sendo responsável
pela contratação das
modelos – o que é feito
pelos estilistas diretamente com
as agências –, a organização
do evento percebeu a necessidade
de interferir desde 2007.
Entre as medidas em vigor atualmente
está a necessidade de atestado
médico garantindo a plena
saúde e condições
de trabalho, além de não
se permitir menores de 16 anos nas
passarelas e exigir alvará
para as menores de 18 anos e maiores
de 16 atuarem. Toda esta documentação
é fornecida pelas agências
antes da semana de moda.
Além disso, o SPFW lançou
uma campanha com cartilhas de conscientização
impressas e online distribuídas
a pais, modelos e agentes para promover
a alimentação saudável.
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